domingo, julho 04, 2010

Acordo…

…Acordo ainda sem saber onde estou e quem sou. Aparentemente reconheço o espaço, sinto com o meu tacto a textura de cada um dos objectos que me rodeiam, mas pergunto-me o porquê de ser esta a forma, o porquê de ser este o corpo. E há então um eu que divaga tentando reencontrar-se. Volto aos poucos a entrar em mim, consciente de que não tenho morada. O que pode então prover de sentido toda esta existência que o perde se nos concentrarmos numa só alma? Como poderemos escolher nós uma casa e um lar, e ter um só pai e uma só mãe, um só esposo ou uma só esposa? De quem será esta vida que nos é dada, esta possibilidade de usarmos o dom da nossa liberdade que nos faz determinar os nossos gestos? Temos de correr conscientes. Temos a cada instante de relembrar as imagens que nos movem. Adoptemos formas, pensemos em estratégias, tomemos pulso. Poderemos usar a força que temos para chegar mais longe, poderemos aprender com quem nos deixa uma mensagem positiva que nos toca, poderemos voar se apanharmos o balanço daquilo que nos é deixado como herança. E o mundo brilhará mais completo se cada sorriso na terra acompanhar uma estrela no céu. Encontraremos a continuidade que dá forma, que confere sentido, que desperta o pequeno ser sedento de vida que existe em nós. Concentremo-nos no que nos diz o Espírito. Ele continuará sempre a segredar-nos lentamente ao ouvido as coisas que por vezes nos custam interpretar, mas que sabemos no nosso interior que são aquelas pelas quais devemos optar. Respiro fundo. Tenho no coração uma vontade enorme de amar. Quero pular, correr, dar graças e louvar…

4 Comments:

Blogger teresa said...

Paz e Bem Tiago!

Leio algumas das tuas palavras e revejo-me nelas...
deixo-te aqui uma pequena partilha.
Num encontro que o grupo Poverello de Assis fez às queridas irmãs clarissas de Montalvo, uma delas falava-nos assim:

"O Espírito Santo fala pouco e baixinho..." :)

... saibamos colocar bem abertos os ouvidos do nosso coração ;)

aquele abraço fraterno!*

teresa

11:22 da manhã  
Anonymous Paula Sofia said...

“… Porque vim separar o filho do seu pai, a filha da sua mãe e a nora da sua sogra; de tal modo que os inimigos do homem serão os seus familiares. Quem amar o pai ou a mãe mais do que a mim, não é digno de mim. Quem amar o filho ou filha mais do que a mim, não é digno de mim. Quem não tomar a sua cruz para me seguir, não é digno de mim. Aquele que conservar a vida para si, há-de perdê-la; aquele que perder a sua vida por causa de mim, há-de salvá-la.»…”
Ma 10, 34-42

Onde está o esposo ou a esposa? Não serão parte da cruz que devemos carregar para O seguir e sermos dignos d’Ele? Amamos a nossa cruz ou muitas vezes carregamo-la com amor, por Ele?
A cruz que devemos carregar é o nosso maior tesouro, muitas vezes difícil de carregar, é ela que nos salvará vida, e também é ela que tantas vezes nos é difícil interpretar. Aquilo nos é dado naturalmente, sem hipótese de escolha sem podermos idealizar ou projectar, como os pais e os filhos que transportamos ainda no ventre materno, amamos sem uma explicação como sendo as nossas pedras preciosas, no entanto não são nossas, são d’Ele e colocadas em nosso caminho para nos orientar para Ele ou para sermos nós a os seus orientadores. Perdidos no mundo, reencontramo-nos quando O identificamos no nosso agir e pensar, levados pela brisa das coisas e tentados pelos sentimentos que nos causam, adormecemos, damos largas a um sonho que não é real, mas o Espírito de Deus não dorme segredando-nos ao ouvido, como um despertador, que é tempo de amar, de viver e ser feliz, seguir em frente com a agilidade de uma criança que se sente capaz de saltar por cima de qualquer obstáculo sem interpretar a altura do salto que dá, mas nós temos de carregar aos ombros o peso real da nossa cruz e com ela aprender a crescer, mantendo no coração essa vontade enorme de amar.

Abraço...

1:28 da tarde  
Blogger Joel Roque said...

Tiago um texto que fez todo o sentido para mim...

Um gande abraço,

Joel

8:05 da tarde  
Blogger butterfly said...

AWESOME!=)

6:57 da tarde  

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